Vai assim mesmo que dá!

Você já ouviu esta expressão? Ouço sempre quando assisto aquelas peças “tabajaras” de teatro. Como é que as pessoas podem fazer as coisas assim tão “nas coxas” com o reino de Deus?

É muito fácil confundir improvisação com relaxo. A primeira, eu concordo é uma arte, a segunda eu já discordo de ser qualquer coisa além de preguiça.

Imagine a cena, o ator lá no palco improvisando o texto e até falando as falas dos outros. Que fiasco! Isso quando ele não fala algo que não devia e rouba a deixa de outro ator. Ou seja, os outros pagam pelas horas que ele não decorou o texto.

Muitos podem dizer que eu estou pegando pesado e que também não é assim. Quero te dizer, querido leitor, que não é a minha intensão desmoralizar o teatro evangélico, quero apenas te convidar a pensar um pouco na atual situação.

Peças bem ensaiadas, bem trabalhadas e com profissionais sérios são as melhores coisas de se ver, sem dizer que valoriza o nosso teatro tão abandonado hoje em dia.

Tenho ouvido falar de vários grupos que estão buscando conhecimento e estão trabalhando duro, mesmo sem recursos, para fazer apresentações de qualidade.

Estes são realmente grupos que estão pagando o preço para resgatar a imagem que as igrejas possuem atualmente do teatro.

Recentemente estive conversando com um Diretor bastante conceituado e ele estava me dizendo que quase não conseguia nenhum recurso para fazer teatro dentro da igreja, em contra-partida fora da igreja ele estava recebendo bastante. Sua maior indignação era que ele queria fazer algo para levar o evangelho e não se vender para outros fins. Mas mesmo sem recursos ele insitiu em continuar nos trabalhos dentro da igreja.

Mas qual foi a reação dele ao se deparar com o grupo? Eram poucos os que sabiam quem era Oscar Wilde.

Ele então iniciou um trabalho de “alfabetização teatral” para os próprios atores, estudando a história do teatro e a força que ele possui de mudança na comunidade. Em pouco tempo o resultado foi espetacular.

Sei que muitos dos que estão lendo esta coluna estão iniciando seus trabalhos, seus grupos e suas companhias. E é exatamente este o ponto mais importante da sua trajetória.

Não deixe de estudar, assista a outras peças, levem textos para lerem e discutirem. Não se preocupe apenas em apresentar peças para datas comemorativas, se preocupe em realmente compreender o teatro, estudar a peça, decorar e ensaiar.

Ai sim, a improvisação poderá fluir livremente. E você não irá correr o risco de ver a peça perder o rumo.

O que o público e os atores agradecem.










Rogério Cericatto
Formado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário Positivo, Formado em Profissional Acting pela Circle in the Square Theatre – New York, Colunista da Revista “All Nations Magazine” (Região de Fairfield em Connecticut, USA).




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